18/06/2008
Yamasaki Y, Honkanen-Scott M, Hernandez L, et al. Nucleolar staining cannot be used as a screening test for the scleroderma marker anti-RNAP polymerase I/III antibodies. Arthritis Rheum 2006, 54:3051-3056.
Auto-anticorpos associados à esclerodermia (esclerose sistêmica - ES) como anti-topoisomerase I (Scl-70), anti-RNA Polimerases I a III (anti-RNAP I/III) e anticorpos anti-centrômero são úteis para o diagnóstico de ES. Também servem como marcadores clínicos para previsão de envolvimento de órgãos específicos e resultados terapêuticos. Entretanto, com a exceção de anticorpos anti-centrômero, que podem ser identificados por teste tipo FAN em imunofluorescência, e de anticorpos anti-topoisomerase I, que podem ser identificados em testes de ELISA, testes para outros auto-anticorpos ES nem sempre estão disponíveis.
Anticorpos anti-RNAP I/III, encontrados em aproximadamente 20% dos pacientes com ES, foram estabelecidos como marcadores de esclerodermia difusa, com maiores envolvimentos cardíaco e renal. Dois testes ELISA de distintos fabricantes tornaram-se comercialmente disponíveis a partir de 2004. Trata-se de um teste clínico muito útil, com altas sensibilidade e especificidade.
Anticorpos anti-RNAP III sempre coexistem com anticorpos anti-RNAP I, e estes últimos se localizam no nucléolo. Ou seja, em teoria seria de com senso pedir um teste de anti-RNAP III ELISA depois de confirmada a presença de padrão nucleolar no FAN. No entanto, relatos recentes sugerem que o padrão nucleolar não ocorre de forma tão clara e evidente em soros contendo auto-anticorpos anti-RNAP I/III. Uma possível explicação é que o padrão nucleolar pontilhado visto com anticorpos anti-RNAP I possa estar obscurecido pela presença concomitante, no soro sendo testado, de anticorpos anti-RNAP II e anti-RNAP III.
Os autores conduziram um estudo no qual examinaram soros anti-RNAP I/III por dupla coloração em células HEp-2, usando um anticorpo monoclonal murino anti-fibrilarina. Seu objetivo era de avaliar se o FAN nucleolar poderia servir como teste de triagem para subsequente solicitição de anti-RNAP III ELISA. Também examinaram as relações entre o padrão nucleolar, níveis de anticorpos anti-RNAP III versus anticorpos anti-RNAP I por ensaio de imunoprecipitação (IP), bem como resultados do anti-RNAP III ELISA. Os soros foram testados usando FAN em çelulas HEp-2, anti-RNAP III ELISA, e por ensaios de IP usando extrato de células K562 marcadas com 35S. Um padrão nucleolar no FAN com soro anti-RNAP por IP foi sempre confirmado com ensaio de dupla marcação com monoclonais anti-fibrilarina.
Os níveis de anticorpos anti-RNAP III foram quantificados por ELISA e ensaio de IP, usando um soro padrão de referência diluído sucessivamente, e suas relações foram analisadas. Os autores descobriram que todos os 18 soros anti-RNAP I/III mostraram padrões nucleolares pontilhados de FAN, mas padrão nucleolar apenas foi visto em 44% dos soros. Uma correlação positiva foi encontrada entre resultados de ELISA e IP para anticorpos anti-RNAP III. Os níveis de anticorpos anti-RNAP III e anti-RNAP I se correlacionaram bem, com exceção de alguns poucos soros. Níveis de anticorpos anti-RNAP III foram baixos em soros com padrão nucleolar, enquanto que diversos soros com níveis altos de anticorpos anti-RNAP I mostraram claramente o padrão nucleolar.
Os autores concluíram que apesar de alguns soros positivos para anticorpos anti-RNAP I/III se acompanharem de padrão nucleolar no FAN, estes achados em células HEp-2 são inconsistentes e não podem ser usados como triagem inicial para anticorpos anti-RNAP I/III. Portanto, clínicos com alta suspeição de esclerodermia em seus paciente devem solicitar FAN e anti-RNAP III desde o primeiro momento.

