11/04/2008
10º Workshop Internacional em
Auto-anticorpos e Auto-imunidade
6 a 9 de Março, 2008.
Guadalajara, Jalisco, México.
Anéis e bastões citoplasmáticos - alvos de auto-anticorpos
emergentes
Edward K.L. Chan, Wendy Carcamo, Pabina Dhawan, Minoru Satoh, Chen
Liu,
Jennifer Bess, Erwin Lam, Natasha Deming, Shangli Lian, Kaleb M.
Pauley, Keigo
Ikeda, Westley H. Reeves, Giovanni Covini, Carlos Alberto von
Mühlen
Vários auto-anticorpos humanos foram usados na elucidação de complexos e estruturas subcelulares macromoleculares. O exemplo clássico é o anticorpo anti-Sm, um marcador de diagnóstico para lupus eritematoso sistemático, usado para identificar a participação do pequeno complexo de ribonucleoproteínas nucleares no processo do pré-mRNA. Outro exemplo é o uso de pontos antinucleares de soros auto-imunes para clonar e identificar p80-coilina como marcador para corpúsculos de Cajal. Um exemplo recente é a identificação de auto-anticorpos citoplasmáticos como anticorpos anti-GWB, há cerca de 7 anos atrás, importantes interferentes de RNA e partícipes da subseqüente degradação do mRNA.
Em estudos atuais, identificamos auto-anticorpos humanos
reconhecidos como anéis e bastões (Rods & Rings) no citoplasma
de muitas linhagens de células cancerígenas examinadas, incluindo a
HEp-2, NRK e 3T3. Células HEp-2 mostram dois ou três bastões de
citoplasmas diferentes (de aproximadamente 3- 10 mm de comprimento)
e/ou anéis (2- 5 mm de diâmetro) em mais de 95% das células. Os
dados têm sido validados com o uso das células HEp-2 da American
Tissue Culture Collection, para afastar artefatos da cultura e
potencial contaminação in vitro. Experimentos simples de
co-localização mostraram que estruturas RR não fazem parte do
complexo de Golgi ou de outras organelas citoplasmáticas
conhecidas, incluindo grânulos de estresse. A expressão do padrão
RR parece ser independente do ciclo celular, mas depende do estado
de proliferação celular e de seu timing em cultura. Há uma aparente
conversão entre anéis e bastões. Uma proteína de 55kDa foi
identificada no padrão RR, por imunoprecipitação, e irá permitir um
número interessante de estudos em tempo real para investigar a
biologia dessas estruturas no nível celular.
Do lado clínico, dados preliminares mostram que a maioria dos
pacientes com anticorpos RR foi infectada pelo vírus da hepatite C
e submetida à terapia com alfa interferon. Em contraste, poucos
pacientes portadores de HCV tiveram resultado positivo para o
padrão RR antes da terapia com interferon. Porém, cerca de 30% dos
pacientes que tiveram resultado positivo para RR são HCV negativos
e, assim, pressupõe-se outras causas para explicar este fenômeno
auto-imune.

